Aliviando a bagagem

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Dois monges, a mulher e o rio

Certa manhã, dois monges saíram em direção ao monastério. Ao chegarem em um pequeno rio, se depararam com uma jovem mulher que lhes pediu para que a ajudassem a atravessar. O monge mais velho logo a tomou em seus braços e a levou até o outro lado, deixando-a em terra seca e assim, continuaram sua jornada.

Alguns quilômetros depois, o jovem monge, tomado por um sentimento de raiva e indignação perguntou ao monge mais velho: Você não se sente culpado e envergonhado do que fez? Como pode tomar aquela mulher em seus braços e carregá-la?

O monge mais experiente então calmamente respondeu: Sim, eu a carreguei. E a deixei lá no rio. Agora, me parece que você ainda a está carregando.

Se pararmos por um instante, e olharmos ao redor, poderemos ver mais claramente que, muitas das vezes, agimos como o jovem monge. Muitas das sensações ruins que hoje experimentamos, muitos dos sentimentos de raiva e decepção que sentimos por alguém, são como bagagens que se amontoam em nossas costas e braços durante nossa vida. Essas “bagagens” foram adquiridas pela nossa falta de conhecimentos, experiências e imaturidade.

Os quilômetros de distância e os pensamentos do jovem monge não serviram para ensiná-lo, só fez aumentar ainda mais sua indignação. Foi preciso que ele se abrisse a um novo entendimento, a uma nova visão do acontecido para que compreendesse a atitude de seu amigo. Nunca devemos deixar de aprender. Mesmo que às vezes erremos, em outras, acertemos, o que importa é que estejamos sempre abertos a novos aprendizados e que, assim, possamos nos aliviar de nossos fardos.

Texto e Fábulas da Tradição Zen recontada: Sérgio Zulian
Imagem:kindspring